domingo, 18 de abril de 2010
Filosofia da Arte - O Belo e o Feio são relativos?
Existem textos que, depois de lê-los, temos vontade de nos ajoelhar diante dele.Assim falou a Sônia numa aula e foi o que aconteceu comigo ao ler o texto que tem o título acima e que ainda não sei quem escreveu, mas que está na pasta da prof. Raquel.
Transcrevo alguns trechos para quem ainda não leu, ficar com vontade de ler.
Sobre o Belo e o Bom:
..."é bem estranho que nenhum dos antigos pensadores de Atenas ou de Roma tenha dado ao Universo o qualificativo de bom (agathós, em grego; bonus, em latim); para todos eles, o Universo é Kosmos (belo), ou mundus (puro).
Bom, é um critério ético.
Belo e puro são critérios estéticos.
...Bom é o finito quando está em harmonia com o infinito, quando as partes harmonizam com o todo.
Toda a natureza infra-humana - mineral, vegetal, animal - está em permanente harmonia com o Todo, e por isso a natureza é boa. Mas...inconscientemente boa, possui um ser-bom neutro, instintivo, automático.
Com a natureza humana começa a possibilidade de um ser-bom consciente, que implica necessariamente na possibilidade de um ser-mau consciente.
...A natureza vive numa harmonia inconsciente com o Todo.
O homem-ego está oscilando entre desarmonia consciente e harmonia consciente.
Enquanto o homem se acha nessa bifurcação ambivalente - bom ou mau - conseguirá ele harmonizar o seu finito com o Infinito em caráter precário, intermitente, dolorosamente, com sacrifício e dificuldade; tem de andar no 'caminho estreito e passar pela porta apertada', tem de ser 'virtuoso' (isto é, 'forçado') para cumprir o seu dever; pode ser bom, mas não pode ainda serbelo.
E aqui já tocamos na grande diferença entre o bom e o belo.
Bom é o homem que está dolorosamente harmonizado com o Infinito.
Belo é o homem que está gozosamente harmonizado com o Infinito."
...........
Ora, sendo o verdadeiro artista o reflexo autêntico do próprio Universo, uno em diversos, forte na leveza, deve ele ser capaz de aureolar de leve beleza a pesada verdade de suas obras. O sopro do seu gênio deve cercar e penetrar de um halo de imponderável leveza toda a firmeza da sua técnica ponderada..."
A coisa é simples, passa pelo querer, pelo amor. Se fizermos aquilo que para nós é espontâneo, visceral, prazeiroso, alegre; se nosso ofício é tal que ao acordarmos de manhã nos encaminhemos para ele com sincera alegria e verdadeira vontade; nos aproximamos do que o autor chama de "gozosa harmonia com o Infinito". Nossas obras serão leves, ainda que de temática dura, e poderemos ser belos.
" Homem, conhece-te a ti mesmo e serás bom sem sacrifício..."
Abr.
Diana
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